Publicado em 11/05/2021 - politica - Da Redação
O presidente
da CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), garantiu na terça-feira (11) a
senadores governistas que a comissão vem tendo "um rumo natural em suas
investigações" e que aguarda o envio de mais documentos para que estados e
prefeituras sejam mais focalizados. Aziz acrescentou que diversas secretarias
estaduais, às quais já foram solicitados documentos a respeito da aplicação de
recursos federais repassados, têm pedido mais de cinco dias para enviar as
informações.
— Demos
cinco dias de prazo, e a maioria está pedindo um pouco mais, porque tem que
detalhar todos os gastos. Não adianta o cara chegar aqui e dizer que recebeu R$
400 milhões e gastou R$ 400 milhões, sem dizer em que, tanto estados quanto
municípios. Quando os dados chegarem, vamos chamá-los [os representantes
de governos estaduais e prefeituras]. Vamos dizer "olha, o governo tal
pegou esse dinheiro, e gastou de forma indevida" baseados em fatos
concretos — explicou.
Para o
presidente da CPI, o colegiado tem seguido um rumo natural nas investigações.
Ele entende que primeiro é preciso ouvir todos os ministros da Saúde desde o
início da pandemia, processo que, espera ele, seja encerrado no dia 19, com a
oitiva do ex-ministro Eduardo Pazuello. Além dos ex-ministros, são necessárias
oitivas com o Instituto Butantan e com a Fiocruz, além dos fabricantes das
vacinas. Após encerrado esse processo, e com a documentação que chega dos
estados, o uso dos recursos repassados pelo governo federal para governos
estaduais e prefeituras também será abordado pela CPI.
No início da
reunião da CPI nesta terça, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) protestou contra
a tentativa da oposição de reconvocar o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
Para ele, a iniciativa faz parte da estratégia oposicionista de blindar estados
e prefeituras, focando os trabalhos da CPI apenas no governo federal.
— Vocês só
falam em cloroquina, mas e a roubalheira, a corrupção e os desvios de verbas?
Temos que investigar isso também — protestou.
Luis Carlos
Heinze (PP-RS) adotou a mesma linha. O senador disse que o governo federal
investiu R$ 200 mil na cloroquina e repassou R$ 73 bilhões para estados e
municípios. A discrepância, no entender do senador, indica que o foco da CPI
deve ser no que foi feito dos repasses, em vez de priorizar o chamado
"tratamento precoce".
Já Humberto
Costa (PT-PE) justificou por que entende que Queiroga deve ser reconvocado.
— Ele disse que não sabia se havia distribuição
de cloroquina na sua gestão, mas uma matéria do [jornal] O Globo mostra que, entre
o fim de março e abril, depois de ele já ter tomado posse, foram entregues
127,5 mil comprimidos a dois municípios no interior de São Paulo. Ele ainda
informou que não havia mais protocolo da cloroquina no SUS. Mas a orientação do
Ministério da Saúde continua sendo a de fazer-se o "tratamento
precoce" para a covid-19 — disse Humberto Costa.
Fonte: Agência Senado